segunda-feira, 26 de março de 2007

Letra Â


Esta é a segunda vogal do idioma elaico. É a letra  que se pronuncia como um "a" bem fechado. Tal pronúncia não existe na lingua portuguesa ou assimila o  como o fonema "an". Costuma ser usado como uma interjeição infantil para expressar rejeição a uma brincadeira: Âââââ...e seu som se aproxima muito do "ô".

domingo, 25 de março de 2007

Letra "A" na Língua Elaica


A iconografia do alfabeto elaico não é inspirada em motivos arbitrários. Cada letra é um símbolo gráfico de uma das 33 constelações que caracterizam um periodo do ano na civilização dos Elos.

sexta-feira, 23 de março de 2007

A Língua Perfeita dos Elos




Os Elos são um povo de uma raça humanóide que habitaram um planeta longínquo, próximo as Plêiades e as Três Irmãs. Eles desenvolveram uma civilização especial em que todos os elementos de sua cultura possuíam uma razão de ser. Seus mitos sagrados são baseados num livro fundador, que nos tempos remotos eram cantados por cantoras especiais sem qualquer verbalização definida, e interpretada em forma de estórias e narrativas pelos ouvintes. Estas estórias compõe a "História das Estrelas, Passado, Crescimento e Declínio", que com o tempo passaram a constituir um livro.


Sobre a língua dos Elos:


Da mesma forma como tudo na civilização dos elos tem um propósito, um sentido, o idioma elaico também é, todo ele, dotado de sentido e motivação. O propósito fundamental do idioma elaico é deduzir uma palavra para cada significado, mas não de modo arbitrário, casual, não. A regra que gera a palavra precisa possuir também uma razão de ser, ter um sentido que a torne a regra única, tão única que poderia ter sido deduzida por outros povos no passado ou inventada por alienígenas em qualquer tempo e espaço. A língua dos elos é a língua humana, porque é derivada do pensamento humano, não de modo acidental, mas de modo essencial. A ordem das letras no alfabeto não é aleatória, mas obedece a uma ordem natural, fundamentada em características universais da humanidade. Esta é a gramática para buscar a mente universal, onde o léxico é ordenado pela gramática e a gramática é originada de condições fundamentais que somente poderiam inferir uma única gramática. A gramática. Conhecendo-se o objeto, a palavra para ele é deduzida. E o resultado deve ser uma língua quase tão necessária quanto o sistema numérico. Sabemos que são dez símbolos porque temos dez dedos. E sabemos que a numeração é posicional porque é o modo mais funcional de ordená-los. Qual é o modo mais funcional possível para se estruturar um idioma ? A gramática dos Elos é este modo.

Esta é a questão posta. Resta agora responder, encontrar um meio de desenvolvê-la.

Para atender a tais critérios, foram formuladas propostas de soluções que se orientam pela seguinte estratégia de abordagem: dotar a gramática elaica de um sistema lógico gerador de palavras em que o tipo de letra e a posição das silabas desempenhassem papeis de comandos para definir o significado do vocábulo. Com isso, chegou-se a conclusão de que era preciso elaborar um modo de classificação e ordenação das palavras e um método que associasse a cada posição dos símbolos uma determinada relação conceitual para que seja possível que as aplicações das regras determinem especificamente o sentido da expressão. E para dar mais expressividade a língua em construção, foi decidido que todo este esquema seria regulado por uma função lingüística.


Prosseguindo nesta formulação concluiu-se que:


1) As palavras seriam dividas em classes inspiradas nas categorias aristotélicas, e para cada classe haveria correspondência com uma determinada vogal. Esta vogal representaria a classe. Essa questão será chamada de Problema das Vogais-Classes.


2) A ordenação das consoantes seria a matriz referencial para ordenar os fonemas. Cada sílaba formada por um par consoante-vogal teria uma posição hierárquica determinada pela posição da consoante no alfabeto ordenado, e o significado desta sílaba seria a de um gênero da classe representada pela vogal. Essa questão será chamada de Problema das Consoantes.


3) Os gêneros de cada classe com sua respectiva vogal representante, teriam o seu significado determinado pela posição hierárquica da consoante, que dependeria de uma ordenação dos gêneros da classe segundo um determinado critério. Essa questão será chamada de Problema da Ordenação dos Gêneros.


4) O sistema posicional equivaleria a cada posicionamento à direita da primeira sílaba, uma relação lógica de especificação do gênero ou de divisão em sua parte, gerando assim um novo significado em que cada sílaba anterior seria um radical da posterior. Essa questão será chamada de Problema do Posicionamento.


5) O conjunto das palavras correspondentes a cada classe deve ser toda ela formada de gêneros e totalidades para que as operações do sistema posicional façam sentido. Essa questão será chamada de Problema dos Gêneros e das Totalidades.


6) As vogais-classes, seriam agrupadas por sua função lingüística. Essa questão será chamada de Problema da Função Lingüística.

1.1 O Problema das Vogais-Classes



Existem vários exemplos de classificação de palavras, como por exemplo, as Categorias Aristotélicas que inspiraram as Classes Gramaticais. A idéia inicial para construção desta linguagem, foi a de corresponder a cada Categoria Aristotélica, uma vogal. Bom, as Categorias Aristotélicas, as vezes, são identificadas como sendo dez, a saber : substância (οὐσία, substantia), quantidade (ποσόν, quantitas), qualidade (ποιόν, qualitas), relação (πρός τι, relatio), lugar (ποῦ, ubi), tempo (ποτέ, quando), estado (κεῖσθαι, situs), hábito (ἔχειν, habere), ação (ποιεῖν, actio) e paixão (πάσχειν, passio).

Quanto as vogais, estas variam de língua para língua. No português, por exemplo, temos cinco e, portanto a princípio, o modelo português não serve a este propósito. Mas também podemos raciocinar que as Categorias Aristotélicas podem ser diminuídas se fizermos com que uma seja o gênero ou espécie da outra. Ou ao contrário, encontrar alguma propriedade que faça uma classe ser dividida em duas outras classes. Os textos aristotélicos são inconstantes quanto a isso e o problema de legitimar as classificações é algo tão sério que virou um problema filosófico que tem atravessado gerações e culturas com suas conseqüências em várias áreas do conhecimento, inclusive na matemática. É o famoso Problema dos Universais. Para resolver este problema das classes precisaríamos buscar um referencial orientador naquilo que identifica e distingue uma classe da outra. Aristóteles propôs uma teoria sobre isso, a de que cada classe se caracteriza por um modo de como esta se impõe na realidade - pelos sentidos, necessidade lógica, por exemplo - e o tipo de existência que podem assumir; como possibilidade, certeza, contingência ou acidente.

Mas antes de continuar com o problema das Categorias Aristotélicas, vamos voltar as vogais. O problema das vogais portuguesas é que elas parecem incompletas, isto é, se você quiser corresponder a cada fonema um símbolo específico. Temos o a, e, i, o, u, que de fato equivalem a um fonema em separado, mas também temos os fonemas gerados por estas mesmas vogais mediante o acréscimo da consoante n na posição posterior, assim como os fonemas gerados pela adoção dos acentos circunflexos. Não vejo motivo para se considerar que as nasalizações das vogais impliquem em ter uma consoante n ou m na posição posterior. Sei que é possível pronunciar an e am de modo distinto, sonorizando sutilmente o n e o m durante a nasalização. Mas por outro lado é também possível produzir sons an e am sem nasalizações. Logo, penso ser justificável que an e am sejam representadas por vogais específicas, assim como os fonemas acentuados com acentos circunflexos.

Considerando que não podemos expressar foneticamente î e û, podemos introduzir 13 vogais A, Â, An - É, Ê, En - Ó, Ô, On - I, In - U, Un, sendo que as vogais nasaladas não pronunciam o n mudo ao final da vocalização, mas apenas o que em português fazemos com o som de em.

Daí surge um problema. Como se está buscando uma língua coerente, a dificuldade aqui é encontrar uma forma de estabelecer uma relação adequada entre as vogais e as classes gramaticais. Bom, nessa nova proposta temos cinco classes de vogais donde três delas admitem o fonema com circunflexo e as outras duas somente a sua forma nasalada. Para que a correspondência entre as vogais e classes tenha coerência, a ordenação destas deveria seguir analogamente o mesmo princípio, se dividindo em cinco grupos em que dois deles devem poder ser divididas em 3 subcategorias, e as outras duas somente em duas. Ou, seja, não só cada vogal deve corresponder a uma classe, mas a estrutura de divisão de um sistema deve ser análoga à outra para permitir uma identificação perfeita.

Provisoriamente, foi decidido que:

O Objeto Sensorial é simbolizado pela vogal "E".

A Propriedade Sensorial é simbolizado pela vogal "Ê".

A Ação é simbolizada pela vogal "O".

A Idéia é simbolizada pela vogal "A".

2.1 O Problema das Consoantes

A formação do corpo consonantal deste alfabeto foi para orientado para alcançar dois objetivos. Um deles, é o de representar o máximo de sons foneticamente possíveis, mas excluir qualquer pronúncia que implicasse em alguma modalidade ou combinação de outras. Nada de T’s mudos e aspirados, ou qualquer outro fonema em que a consoante fosse a pronunciação de alguma outra realizada de uma determinada maneira. A regra é: Não multiplicar fonemas, somente os básicos e perfeitamente distinguíveis. Bom, é claro que outros poderão questionar os meus critérios, mas o que vale é a idéia por trás que me parece a mais natural, e funcional possível. Para cada fonema um único som e para cada som um único fonema. É este o lema que tento seguir. Usar o conceito de consoantes pronunciadas por este ou aquele modo como sendo uma nova consoante poderia expor a estrutura lingüística ao problema de que para uma mesma vocalização, termos duas maneiras de representá-lo, e isto é uma desordem, confusão intolerável.

O outro objetivo é o de conferir uma ordenação para as consoantes. Como fazer ? Aleatoriamente ? Negativo. Como já foi dito, toda escolha deve seguir um sentido, uma razão. Concluiu-se, portanto, que a ordem das consoantes dos fonemas deve possuir um referencial humano–evolutivo; aqui denominado de embriológico. Como não foi possível hierarquizar cada uma das consoantes como aquela que primeiro se aprende a falar antes das outras, apenas algumas poucas, foi decidido que as primeiras seguem este critério e as outras são ordenadas por vizinhança de semelhança com estas primeiras. O conceito de algumas dessas vizinhanças por semelhança, se fundamenta em estudos sociolingüísticos sobre a tendência com que uma consoante passa a ser pronunciada como outra. Os rotacismos, e etc.

Seguindo todos estes critérios, o resultado foi o a seleção de 20 consoantes e a seqüência delas é orientada de forma que as primeiras letras sejam as que coincidem com a ordem com que os fonemas são adquiridos na aprendizagem da fala e o resto segue por semelhança ao fonema vizinho.

M - P – B - V - F - T - CH - S - Z - J - DH - D - N - NH - K - G - RR - R - LH – L


As consoantes M, P e B foram identificadas como os primeiros sons que criança aprende a falar. A vizinhança entre o B e o V decorre do modo como o povo russo e os outros ocidentais trocam estas letras, um fenômeno que se repete na tendência lusitana de associar B ao V. Esta troca fonética é também identificada na lingüística como betacismo. A vizinhança entre o F e o T é inspirada na associação que a língua inglesa faz entre estes fonemas. Em seguida vem a vizinhança fundamentada no sigmatismo que é a tendência de trocar o S pelo Z. Foi adicionado ao alfabeto, o fonema DH que é um fonema usado no sudeste brasileiro para pronunciar a palavra Dia. Sim, existem também diferenças no Brasil para o uso do T, como em Teu e Titia, mas a combinação dos fonemas T com CH podem dar conta disso, e não devemos multiplicar as consoantes. A vizinhança entre o N e o D resulta de uma experiência pessoal em repetir o D rapidamente e constatar que a produção rápida deste som tende para o N. O gammacismo explica a proximidade do G com o K. E a vizinhança entre o R e o L se fundamenta na mutação lingüística chamada de rotacismo.

3.1 O Problema da Ordenação dos Gêneros


Como proposta para ordenação dos gêneros, chegou-se a conclusão que estes deveriam ser orientados por duas idéias: a idéia de cosmogonia e a da embriologia.

Considerou-se que toda e qualquer palavra que denota um objeto sensorial, pertence a uma das seguintes classes: Cosmos, Mineral, Terra, Vegetal, Animal, Homem e Manufaturado. Cada uma dessas classes é representada por uma ou mais consoantes, cuja posição na seqüência do alfabeto deve representar o lugar do gênero em sua ordem cosmogônica conforme narrada pelo mito fundador. De acordo com a cosmogonia dos Elos, estas classes devem possuir a seguinte ordem: Entidades, Tudo, Estrelas, Mineral, Terra, Vegetal, Animal e Manufaturado. O mito diz que as entidades compõem aqueles que são os primeiros, e aquele que sempre existiu, e estas deram início à cosmogonia a partir do Tudo, donde derivaram em seqüência; o Cosmos, as Estrelas, depois os gases, a água, ou seja, os Minerais, então surgiu a Terra, daí apareceram às folhagens, as árvores, plantas, em então o Animal, o Homem e as coisas fabricadas por ele. Se considerarmos os sete gêneros de objetos, podemos distribuir as consoantes em sete grupos: Cosmos (M – P), Mineral (B - V - F), Terra (T - CH - S), Vegetal (Z - J - DH), Animal (D - N - NH), Homem (K - G - RR) e Manufaturado (R - LH – L). A partir deste esquema, teríamos duas palavras para Cosmos e três para cada um dos gêneros restantes. A existência de mais palavras para o mesmo gênero poderia significar conceitos diferentes, como Vegetal (Vegetação= Z, J= Flores, DH= Frutíferas) ou Mineral (B= Gases, V= Metais, F= Não Metais), mas, sobretudo ordenadas segundo o mito cosmogônico. Como é a vogal “E”, a letra que identifica que a sílaba como um objeto, então as palavras para Cosmos seriam Me, Pe; para Mineral: Be, Ve, Fe e assim por diante. Se usássemos uma outra vogal senão a vogal "E", então estaríamos nos reportando a um outro conjunto de palavras como por exemplos as da classe Idéia ou Ação.

Considerando a classe das ações, podemos imaginar palavras divididas em quatro tipos de gêneros: transformação de um ente em relação a si mesmo, transformação de um ente em relação aos outros entes, transformação que um ente efetua em outro ente que se realiza em relação a ele mesmo, transformação que um ente efetua em outro ente que se realiza em relação a outros entes. Tais transformações podem significar as transformações na forma e as transformações no espaço. As alterações na forma poderiam partir de idéias matemáticas, como a de mudar a escala (tamanho), rotacionar, sofrer deformações, por exemplo, e as transformações no espaço seriam as locomoções. Então poderia haver as mudanças na forma do ente, suas locomoções, a interferência deste ente na constituição do outro ente, ou a interferência deste ente na posição espacial do outro. Em todos estes conceitos está implícito de que toda ação implica numa transformação. Quanto à hierarquia dos gêneros, esta se fundamentaria na idéia de uma metafísica da cosmogonia. Na hierarquia cosmogônica primeiro os objetos são criados, para depois interagir com os outros. Deste modo, as transformações do ente em relação a si mesmo deve ter precedência nas transformações do ente em relação aos outros. Os outros dois modos dependem da maneira como são interpretados, mas eu sugeriria que para que um ente transforme a constituição do outro primeiro precisaria alterar sua distância com relação a ele, o que significa que ele já estaria alterando este outro ente no mínimo em relação a ente transformador, que para o alterado seria um outro.

Usando a lógica do esquema, poderíamos ter para transformação de um ente em relação a si mesmo as letras M - P – B - V – F, para a transformação de um ente em relação aos outros entes as letras T - CH - S - Z – J, para a transformação que um ente efetua em outro ente que se realiza em relação a ele mesmo as letras DH - D - N - NH - K e finalmente para a transformação que um ente efetua em outro ente que se realiza em relação a outros entes as letras G - RR - R - LH – L. As palavras seriam Mo, Po, Bo, Vo, e assim por diante.

Quanto à classe das propriedades sensoriais, por serem relativas aos sentidos humanos, deveriam seguir a hierarquia ditada pela sucessão da gênese biológica, que é a hierarquia embriológica. Esta ordem orienta a seqüência das propriedades dos objetos sensoriais, que devem seguir o tempo da aprendizagem e uso de cada sentido pelo embrião até o bebê. O embrião primeiro percebe o Tempo e o Espaço. Em seguida ele possui sensações tácteis, então ele ouve, depois, ao nascer ele vê, sente os odores do ambiente e enfim sente o gosto da comida. Os gêneros das propriedades, numa ordem que obedece ao critério embriológico seriam seis: Relativos ao sentido do tempo, Relativos ao sentido do espaço, Relativos ao sentido do Tato, Relativos ao sentido da Audição, Relativos ao sentido da Visão, Relativos ao sentido do Olfato e Relativos ao sentido do Paladar.

Um modo de distribuir tais gêneros seria: Relativos ao sentido do tempo a letra M; Relativos ao sentido do espaço a letra P; Relativos ao sentido do Tato as letras B - V, podendo significar pressão e temperatura; Relativos ao sentido da Audição as letras F - T – CH, podendo significar volume, timbre e tonalidade; Relativos ao sentido da Visão, as letras S – Z, podendo significar cor e forma; Relativos ao sentido do Olfato, as letras J - DH - D - N - NH – K, podendo significar os odores floral, pútrido, picante, almíscar, etéreo e cânfora (mas ainda não decidi qual odor deve preceder ao outro); Relativos ao sentido do Paladar, as letras G - RR - R - LH – L, podendo significar os sabores amargo, salgado, azedo e doce (levando em conta que primeiro se forma a base da língua e em seguida sua parte intermediária, lateral e a ponta, respectivamente a posição dos sensores gustativos ).

Sobre a categoria das paixões, mais especificamente as paixões do espírito, foram imaginados gêneros como: Amor, Alegria, Humor, Satisfação, Coragem, Surpresa, Frustração, Raiva, Desprezo, Aversão, Medo, Tristeza. Esta ordem segue um fio de continuidade que este autor imagina existir entre um espírito ao outro, mas ainda não segue uma hierarquia temporal genética cosmogônica ou embriológica até onde se sabe. Filosoficamente, considero que alguns sentimentos estão associados aos seguintes conceitos: o modo como sujeito se vê, que é a Tristeza ou satisfação; seu conhecimento acerca de seu mundo e das expectativas futuras, como o Medo ou Coragem; sentimentos derivados da sensação de impotência, como a Raiva; sua postura em relação à cognição, como o Amor ou Desprezo; e o comportamento resultante da redução do significado conferido a algo, que é o Humor. Talvez este último deva estar classificado entre as paixões resultantes da alteração dos sentimentos, ou seja, os estados de espíritos intermediários, e neste grupo poderíamos incluir a Surpresa e a Frustração. A fenomenologia dos estados espíritos deve ordenar este esquema.

Sobre os objetos matemáticos, uma especulação em curso é a de que sejam construídos a partir das idéias matemáticas fundamentais e de ações sobre os tais objetos, que poderiam ser entendidas como as funções. Obras como Os Elementos de Euclides, poderiam ser a referência para este propósito em que o ponto e a reta seriam parte dos elementos básicos e os procedimentos sobre eles seriam as ações ou funções da qual derivariam outros elementos matemáticos. Desta forma, haveria uma correspondência entre os procedimentos para formação de uma palavra que representa o objeto matemático e o as operações matemáticas para a construção do objeto matemático representado.

4.1 O Problema do Posicionamento

O sistema posicional é baseado na idéia de que cada sílaba é um radical formador da palavra cujo significado depende de sua posição em relação à sílaba anterior, a vogal e a consoante a esta associada. Toda sílaba da palavra é um radical, portanto, a gramática que está sendo construída é uma gramática em que toda palavra é constituída por uma composição de radicais em que cada radical é formado por uma lógica gramatical. O modo como este sistema atua é que a sílaba posterior realiza uma operação na sílaba anterior, cuja função operacional será determinada por uma vogal da silaba posterior, onde a sua consoante associada indica o gênero resultante como uma dentre aquelas que pertencem ao conjunto de gêneros ordenados que a vogal operativa derivou. Um outro modo de dizer que a vogal posterior mais a sílaba anterior, resulta numa seqüência de gêneros, e a consoante determina qual dos gêneros, desta seqüência de gêneros, é que deve corresponder ao significado da palavra formada pela união das sílabas.

Isto leva a uma outra conclusão: A vogal enquanto classe gramatical vai atuar na primeira sílaba. Nas silabas seguintes, a vogal atuará como indicador de que função operativa deve ser realizada na sílaba anterior.

Até o momento, foram consideradas apenas três funções operativas representadas por três vogais. A especiação de gêneros, a divisão de totalidades e a atribuição de propriedades, respectivamente E, En e Ê. Por exemplo: De é uma palavra que faz parte da categoria substância por causa da vogal E, e a consoante D indica que o significado desta palavra é um gênero que pela sua posição no alfabeto, é o décimo segundo da hierarquia. Como a classe das substâncias é regida pela sucessão cosmogônica, isto é, uma teoria a respeito do que veio a existir primeiro e o que veio a existir depois no universo, então a palavra De deve significar a décima segunda coisa que veio a existir, que no caso específico da narrativa fundadora, é o Animal. Mas Animal é um gênero. Uma segunda sílaba Le sucedendo a sílaba De, vai indicar que a palavra Dele é uma espécie do gênero De, já que a vogal E da segunda sílaba, indica que a palavra produzida é resultado da operação em derivar uma espécie, de um gênero indicado pela silaba anterior. Todavia, para o gênero De, existem várias espécies possíveis. Então a consoante L indica que a espécie é aquela, que de acordo com a cosmogonia que rege as substâncias, é a última que passou a existir. Como neste modelo o gênero animal não inclui o homem, Dele pode significar primata ou macaco. Mas se eu mudar de idéia quanto ao modelo, posso fazer com que Dele signifique homem.

Experimentemos agora uma outra operação. Vamos partir da palavra animal De e formar a palavra Delen. Como a vogal En indica divisão de totalidades, então a função operacional indicada é a de tomar uma parte daquilo que significa De e fazer do significado da parte representada por Len o significado da nova palavra. Mas o que seria uma parte de De ? Bem, como De significa animal então a palavra Delen deve significar uma parte deste animal, ou seja, um órgão. Mas qual órgão ? A consoante L é que vai dizer na medida que esta está posicionada na última posição do alfabeto, e como as partes de um animal estão regidas por uma ordenação embriológica, a palavra resultante deve representar a ultima parte ou órgão que passou a existir, que deve ser algo como a pele ou o cabelo.

Agora chega de substâncias. Podemos fazer algo com as propriedades ? Bom, a palavra é formada pela vogal Ê que indica pertencer a classe das Propriedades Sensoriais, e pela consoante S que está na oitava posição no alfabeto, e portanto, de acordo com a ordenação hierárquica que rege a classe das Propriedades Sensoriais, o que é a embriológica dos sentidos, isto nos dá, pelo modelo atual, o sentido de visão, particularmente o sentido da cor (num outro modelo possível, eu teria que realizar uma operação de especiação de gênero para fazer da visão chegar até cor). Se colocarmos uma segunda sílaba, Me a palavra Sême terá seu significado definido pela vogal E, indicando que a palavra resultante é uma espécie do gênero Cor. Mas qual cor ? A consoante M dará a resposta dizendo que é a primeira cor numa ordem hierárquica. Como toda ordem hierárquica é sempre num sentido genético, a exemplo do modelo da sucessão cosmogônica, e este sentido correlaciona os graus de existência com os graus de sucessão temporal, chegamos a solução que na gradação caleidoscópica, do negro passando pelo violeta, azul até o vermelho, deveremos selecionar o negro, que é a ausência de cor. Logo, Sême é uma palavra que significa cor negra. Porque primeiro uma coisa inexiste para depois existir.

5.1 O Problema dos Gêneros e das Totalidades

Um dos procedimentos fundamentais para a construção desta linguagem, é a de selecionar as palavras que fazem parte de um conjunto definido por uma classe, de tal forma que faça sentido interpretá-las como gêneros ou totalidades, para que uma operação de derivar espécies ou partes componentes seja capaz de gerar um conceito inteligível, ou mesmo, que se consiga dar inteligibilidade a esta operação. Por exemplo, o que seria uma operação de divisão de uma Ação, Tempo, Cor ? Se escolhermos Cosmos como gênero, o que seria a sua espécie ? Algumas sugestões foram elaboradas. Uma operação de especiação do gênero ação, irá nos dar várias formas de ações possíveis. Uma operação de divisão deste mesmo gênero em sua parte componente, vai nos dar uma parte da execução da ação, em sua realização transitória. Por exemplo: nadar é uma espécie do gênero locomoção. Uma parte do nadar é uma parte da ação transitória do ato de nadar, cuja palavra não saberia dizer qual é. O chute seria uma espécie do gênero agressão, uma parte do chute, seria uma posição intermediária do pé, no ato de chutar. Ou seja, uma parte da ação é um tempo da ação: no passado, no presente ou no futuro.

Se na palavra em construção é adicionada uma sílaba posterior, com a vogal Ê, então a silaba anterior sofre a operação de adquirir um atributo. Este atributo pode sofrer uma especiação do gênero (porque é sempre sobre a sílaba anterior e não sobre a primeira) e podemos derivar uma palavra como cavalo-azul-celeste. A especiação do gênero Cor pode ser as várias modalidades desta mesma cor. O verde geraria o verde limão, verde musgo. A partição da totalidade Cor verde seria um grau da cor verde: verde claro, verde escuro.

Uma especiação do gênero Tempo poderia significar as várias durações de tempo, do instante ao sempre. Uma divisão da totalidade do Tempo seria os modos passado, presente e futuro, que são as partes de qualquer tempo. Um gênero do Espaço poderiam ser suas dimensões, do ponto a dimensão infinita. Uma divisão da totalidade do espaço poderiam ser as suas formas, os fragmentos, os segmentos.


6.1 O Problema da Função Lingüística




"O novo modelo de linguagem humana, que deveria ser consistentemente ordenado em manter com as concessões feitas nas Meditações Cartesianas, é tão rico quanto aquele necessário pela teoria da linguagem e aplicado ao lado dela, na prática, desde Platão; é o modelo organon da linguagem. Nós iniciaremos nossa apresentação dos princípios da ciência da linguagem com ele". (Bühler, 1934/1990, p. 13; ver Lanigan, 1988, pp. 223-245).

"Já expliquei anos atrás que, das famosas três funções da linguagem classificadas por Karl Bühler, os brasileiros só sabiam de duas: a expressiva (manifestar estados interiores) e a apelativa (influenciar as pessoas). A função denominativa (descrever e analisar a realidade) era totalmente desconhecida nesta parte do mundo, e quem quer que cometesse a imprudência de falar ou escrever alguma coisa nessa clave seria automaticamente traduzido para as outras duas.”

( O Patinho Feio da Política Nacional http://www.olavodecarvalho.org/semana/070319dc.html )

Com a intenção de dar a linguagem em construção, um grau de expressividade maior, foi criado uma estrutura baseada nas teorias de Karl Bühler sobre as três funções lingüísticas: Denotativa , Expressiva e Apelativa. Os estudos de Karl Bühler consideravam que toda mensagem humana é símbolo (denotativo), sintoma (expressão) ou sinal (apelação). Neste modelo que está sendo criado, imaginou-se que seriam as vogais que identificariam a função lingüística, a que as palavras estariam servindo.

Para a denotativa as vogais representantes seriam:

[A, Â, An ] – [É, Ê, En] – [Ó, Ô, On]

Para a expressiva as vogais representantes seriam:

[U, Un]

Para a apelativa as vogais representantes seriam:

[I, In]


Mas que significado dar as vogais In e Un e como interpretar neste contexto, a ausência no I e U das modalidades em circunflexo presentes nas outras vogais ?